-= Som Pantaneiro =-
NO RITMO DO CHAMAMÉ

Uma boa moagem começa assim: com sanfona, com mulher e com o violão. Todos que comparecem devem estar animados. A poeira vai levantando, a mulherada vai chegando e alegrando os corações”, conta o comerciante Altair Rodrigues Vieira.

O fim de semana pelo Brasil adentro é assim mesmo, quase sempre. Dia de festa, música e dança. Logo logo, a gente descobre que este pedaço do Brasil... Ah, chimarrão! Coisa de gaúcho? Nada disto.

“A bebida tradicional é o tereré, geladinho. É muito melhor do que o chimarrão quente”, explica o fazendeiro Eduardo Garcia.

Estamos em Mato Grosso do Sul, na capital Campo Grande. A música que embala o Brasil tem muitos sotaques, mas a alegria... É um baile, festança... Não, moagem!

“É moagem, reunião dos amigos. A gente fica todos juntos. Passamos horas felizes e ouvindo a música”, diz o fazendeiro.

Dino é famoso, um dos reis do chamamé tradicional. Gravou mais de 20 discos.

“Chamamé é um ritmo de música que veio da Argentina. Ele veio para cá em 1920, 1930. Ele entrou pela Argentina, saiu no Paraguai e entrou no Mato Grosso pelo Paraguai”, declara o chamamezeiro Dino Rocha.

Por que será esta música fica só no Mato Grosso do Sul?

“Isso acontece por causa da falta de divulgação. Mas agora vai melhorar, daqui pra frente”, observa o chamamezeiro.

“Nessas festas nossas, normalmente a mulher estando com a saia rodada, se a calcinha é branca, amanhece marrom... É a poeira. E isto faz um bem que você nem imagina!”, revela seu Altair.

Mas já apareceu uma outra maneira de tocar chamamé na região. O músico Marcelo Loureiro é carioca, mas está no Mato Grosso do Sul há mais de dez anos. Ele se apaixonou pelo chamamé e pela polca paraguaia também.

Pela tradição, se toca o chamamé em um bandoneón, que é a sanfona Argentina, e não no violão.

“A polca paraguaia tem um andamento um pouco mais rápido do que o chamamé e teoricamente é isso, uma mudança de andamento”, declara o músico.

No Paraguai, a polca é tocada na harpa paraguaia.

“Isso não é música brasileira. Isso é uma influência, apesar que nós temos uma forma de tocar diferente dos tradicionalistas argentinos e paraguaios”, garante o músico.

Mas Marcelo descobriu um jeito de tocar chamamé só em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil.