-= Som Pantaneiro =-
  ..:: Ritmos
  .: Chamamé

  Como definiu o compositor e acordeonista Antonio Tarragó em "Soy el Chamamé", este gênero musical é a própria alma de Corrientes (provincia Argentina).

  Chegou no Brasil pelo Rio Uruguai e sendo difundida pelas rádios argentinas no interior do Rio Grande do Sul, dando a conhecer valores como Ernesto Montiel e Tarragó Ros (pai) e muitas outras "legendas do Chamamé".

  Na realidade "el Chamamé" foi um feliz "contrabando" que chegou para fazer parte de nossa cultura. Este ritmo vem tomando lugar no coração dos gaúchos de uma décadas para cá.

  A interpretação do chamamé pode ser a solo ou em duo, sendo essa modalidade vocal mais apreciada.

  Vinculado ao chamamé está essa manifestação denominada "Sapukay" que nada mais é que o grito dado espontaneamente pelos chamameceros no momento em que lhes dá gana ou no final de cada tema.

Andamento 6/8 60 à 120 semínimas pontuadas
3/4 80 à 180 bpm
  .: Vanerão

  Também conhecido como limpa banco, tem o andamento mais rápido do que a Vanera.

  O Vanerão presta-se para o virtuosísmo do gaiteiro de gaita piano ou botonera (voz trocada), sendo assim muitas vezes um tema instrumental.

  Quanto a forma musical, o vanerão pode ser construído em três partes (rondó), utilizado em ritmos tradicionais brasileiros como o choro e a valsa.

  Quando cantado, dependendo do andamento e da divisão rítmica da melodia, exige boa e rápida dicção por parte dos intérpretes.

  O Vanerão com sua vivacidade exige bastante energia, tantos dos músicos, como dos bailadores de fandango.

Andamento 2/4 80 à 95 bpm
  .: Vanera

  A origem da Vanera é no ritmo cubano Habanera, que é como era grafado o ritmo. Da Habanera para atual Vanera, várias modificações foram feitas, na grafia e no andamento bem mais rápido, para se tornar bailável.

  Ao longo de mais de três décadas, os conjuntos de baile vêm desenvolvendo com sua experiência e criatividade vários padrões rítmicos em seus instrumentos típicos: acordeon, guitarra, baixo, bateria e pandeiro.

  A Vanera conquistou um espaço privilegiado nos bailes, sendo hoje, presença marcante e obrigatória em qualquer Fandango que se preze.

Andamento 3/4 145 à 170 bpm
  .: Rasqueado

  O Rasqueado tradicional, antigamente, era executado na viola de cocho.

  Atualmente, apresenta outras características, utilizando-se amplificadores e instrumentos modernos. A dança é executada aos pares que, abraçados, "bailam" pelo terreiro ou salão de festas.

  Comum a todo tipo de festas, desde aniversários, carnaval, o tradicional "chá co' bolo", até festas de santos, o rasqueado costuma atrair novos adeptos que contagiam-se com seu ritmo pulsante, ocorrendo principalmente nos municípios próximos de Cuiabá.

  Trecho de uma música bastante difundida:

"Vem cá, morena,
Sai na janela,
Venha ver a lua
como está tão bela."


  A Definição da Palavra Rasqueado: "... arrastar as unhas ou um só polegar sobre as cordas, sem as pontear". ( Acordes em glissados rápidos, rasgado, rasgadinho, rasqueado e rasqueo) - Dicionário Musical Brasileiro - Mário de Andrade.

  Em Mato Grosso, a expressão musical Rasqueado Cuiabano ou Dança Popular Mato-grossense, traz no seu processo histórico toda uma saga, que começou após o fim da Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai), quando os prisioneiros da Retomada de Corumbá ficaram confinados à margem direita do Rio Cuiabá, atualmente cidade de Várzea Grande.

  O rasqueado desperta com maior intensidade na população da periferia das cidades, quando começa a ser executado com os hinos de santos (acompanhando Bandeiras do Senhor Divino, São Benedito, etc.) indo aparecer nos chamados chá com bolo.

  A música do rasqueado só começa a ser aceita pela elite, nas décadas de 20 e30, onde Honório Simaringo, Antônio Garcia, Conjunto Serenata e até o piano de Zumira Canavarros e Dunga Rodrigues conseguem infiltrar o rasqueado nas noites de saraus e, também com o endosso das famílias cuiabanas mais abastadas.

  .: Rancheira

  Este ritmo bem crioulo (autêntico) em compasso 3/4 encontra paralelo em vários outros gêneros Latino Americanos deste estilo, tais como o "Pericón" uruguaio ou o "Joropo" venezuelano.

  Outra característica que o aproxima da América Hispânica é o "Sapateado" que é uma das maneiras de se dançar a Rancheira.

  A maneira mais comum de se dançar a Rancheira é a marcação dos pares do ritmo como pequenos pulinhos ou "puladinho".

  Outra modalidade bastante apreciada pelos bailadores á a Rancheira de Carrerinha em que os pares alinhados executam várias coreografias em momento de grande descontração.

  A gaita (acordeon, cordeona) tem papel de destaque, sendo a solista principal e contando coma participação do violão ou gaita a meio do tema para um dueto que com certeza despertará mais interesse no público presente e também servirá para os músicos exibirem seu virtuosismo.

  Nos bailes de antigamente a gaita se fazia acompanhar de um pandeiro e ainda hoje quando queremos mais autenticidade e reviver os tempos de chão batido, agrega-se pandeiro ao conjunto instrumental, principalmente na Rancheira e na Vanera.

Andamento 2/4 80 à 95 bpm
  .: Bugio

  Com seu balanço bem compassado o Bugio, este genuíno ritmo do Rio Grande do Sul tem sua origem reclamada por dois municípios, que tratam de divulgá-lo através de seus festivais: São Francisco de Assis (fronteira oeste) e São Francisco de Paula (região serrana) se consideram pais do Bugio.
Não nos cabe tomar partido nessa salutar pendenga cultural.

  O certo é o processo de criação do Bugio foi inspirado no "ronco" do bugio, macaco que habita nossas matas, correndo sério risco de ser extinto.

  Da imitação desse ronco reproduzido pelo acordeon foi criado um novo ritmo que teria em São Chico de Assis, São Chico de Paula e de toda a região serrana um solo fértil para seu desenvolvimento.

  A maneira de dançar o Bugio também é inspirada nos movimentos desse macaco. Como já nos cantara o fabuloso conjunto Os Serranos:

  "Dançar o Bugio é bom
  É a dança do rincão
No compasso do Bugio
  Estremece o coração!!"


Andamento 2/4 70 a 100 bpm
  .: Xote

  O Xote gaúcho tem origem no 'schotis' europeu e sofreu aqui algumas mudanças que são naturais a qualquer manifestação cultural que tenha migrado de um continente a outro com características distintas, porém sem perder a essência de seu precursor europeu dotado de inspiradas melodias.

  É um dos poucos ritmos de andamento quaternário que se tem no Rio Grande do Sul, sendo que a melodia está em divisão de colcheias pode em certas partes dobrar para semi colcheias, o que serve para os executantes demonstrarem todo seu virtuosismo, principalmente o acordeon, o violão ou guitarra.

  Por seu andamento médio, o xote dá condições a que os pares dancem de maneira figurada realizando as mais variadas coreografias.

Andamento 4/4 130 à 170 bpm